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Como construir a autoestima de seu filho

Você sabe qual é a ligação entre autoestima e inteligência? Entenda o que é esse traço humano tão importante e como ajudar a desenvolvê-lo nas crianças

O ingrediente essencial para uma autoestima saudável é o modelo dos pais ou responsáveis através do pensamento positivo e do incentivo

"Mas qualquer um consegue fazer isso!". Este é um comentário comum, que todo mundo já ouviu uma vez na vida, certo? Quando ouvidas por uma criança, porém, observações desse tipo podem até ser inofensivas - ou altamente prejudiciais. Isso porque é a partir da interação com os outros, a começar pelos membros da família, que ela formará uma imagem de si mesma. A construção da autoestima se dá desde bem cedo na vida de uma pessoa e terá impacto em toda a sua trajetória.

"É preciso ter zelo com o que se diz", aconselha o educador Simão de Miranda, autor do livro Afetividade e Autoestima da Criança (Editora IMEPH), entre dezenas de outras publicações. Outro ingrediente essencial para uma autoestima saudável é o modelo dos pais ou responsáveis, como ressalta o psicopedagogo e antropólogo Jon Talber: "O pensamento positivo dos pais e a forma como tratam os problemas com energia renovada e determinação, atitudes essas que se expressam de forma pedagógica dentro de casa, são um modelo extraordinário para a criança". 

A seguir, com a ajuda desses especialistas, o Educar esclarece o que é a autoestima da criança e como pais e adultos em geral podem colaborar para o seu desenvolvimento. Antes, uma observação importante: a autoestima não é alta nem baixa, ao contrário do que se costuma dizer; ela é mais ou menos saudável e equilibrada. Veja a seguir.

O que é autoestima?

Pode-se compreendê-la sob mais de um ângulo. A autoestima está relacionada, ao mesmo tempo, à identidade, à noção que temos de nós mesmos, e à autoconfiança e autossuficiência. Constrói-se a partir do nosso contato com outras pessoas, nas interações sociais. "No adulto, a autoestima é o sentimento de segurança pessoal e bem-estar íntimo que surge quando nos tornamos autossuficientes", define o psicopedagogo Jon Talber, destacando: "Já na criança, ela se desenvolve naturalmente quando os pais [ou responsáveis] a acolhem com carinho e compreensão. A sensação viva de que são amadas e importantes naquele lar; que estão em ambiente seguro e são compreendidas: eis o que significa a autoestima para uma criança".

Qual é a importância da autoestima para a criança?

São muitas as importâncias, na verdade. A começar, uma criança com a autoestima saudável tem relações também mais saudáveis, pois é menos dependente - do ponto de vista emocional - dos outros. 
O psicopedagogo Jon Talber explica a ligação entre a autoestima e a inteligência: "Uma mente equilibrada e criativa, flexível e capaz de se tornar inteligente, é uma consequência natural quando a autoestima está em dia. Só uma criança motivada e plena de confiança em si mesma é capaz de descobrir a sua vocação. De posse desse raro atributo, sua futura felicidade profissional e pessoal estará assegurada".

Como vai a autoestima da criança?

Aqui, perguntas essenciais são: que percepção a criança tem de si mesma? E dos outros? Se ela demonstra generosidade para com os outros, é sinal de que é generosa consigo mesma. Há indicadores no comportamento dos pequenos que denunciam a quantas anda a sua autoestima. "Quando a criança possui boas relações sociais, relacionamentos equilibrados e tranquilos", aponta Simão de Miranda, "é sinal de uma autoestima equilibrada".

Quais são as consequências de uma autoestima desequilibrada?

A visão que se tem de si mesmo, o chamado autoconceito, é fundamental para a conquista das relações saudáveis: se o indivíduo é compreensivo consigo mesmo tenderá a sê-lo também com os outros. "Um déspota tem uma autoestima muito debilitada", exemplifica Jon Talber, lembrando, ainda, que uma autoestima fragilizada pode levar à melancolia e à depressão. "Muitos dos problemas relacionais na vida adulta podem ter começado lá atrás, na infância remota", acrescenta o educador Simão de Miranda.

O que NÃO fazer?

Pais, professores e outros adultos em contato com a criança devem evitar ao máximo dirigir falas depreciativas a fala, sobretudo ofensas, como "que burrice!" ou como "como você é..." (complete aqui com uma qualidade negativa). O educador Simão de Miranda esclarece que, por mais que a criança não pareça necessariamente sentir o impacto dessas falas no presente, é possível que, no futuro, elas se cristalizem e impeçam o cultivo de uma autoestima equilibrada. 

Por outro lado, a fala dos pais e professores também não deve soar artificial, complacente demais, pois a criança também é capaz de perceber isso. Espontaneidade com certo cuidado: essa seria a combinação ideal.

Faça apenas elogios sinceros

Um comportamento aparentemente inofensivo, mas que também pode ser prejudicial ao desenvolvimento da autoestima, é o elogio sem base. "A criança pode chegar à falsa conclusão de que ela é excelente naquilo. Assim, não se aprimorará", alerta Simão de Miranda. Por exemplo: se você não acha que o desenho do seu filho ficou "lindo!", não diga isso; dê, por exemplo, uma sugestão do tipo "por que não colore mais um pouco?". Para construir a autoconfiança, a criança precisa ter uma visão realista daquilo em que se sai bem e não tão bem. Se achar que é boa em tudo, o choque de realidade - ao ser reprovada em um exame, por exemplo - pode gerar uma frustração imensa. Ou ela pode acabar ficando pouco humilde, sentindo-se "especial" demais.

Escola: mais companheirismo, menos competição

Em um ambiente em que as crianças são comparadas umas com as outras o tempo todo, seria um milagre que as pequeninas desenvolvessem uma autoestima saudável. "Comparar um com o outro, seja no intelecto, seja nas habilidades, ou seja, na aparência, é um costume bizarro e inconcebível, que deve ser descartado", afirma o psicopedagogo Jon Talber, que completa: "Sem o sentimento de companheirismo, onde os amigos não se valorizam entre si, onde ninguém compartilha de suas virtudes de forma espontânea e gratuita, onde o bem-estar de um não reflete no outro, o despertar e a potencialização da autoestima não passarão de um sonho inatingível". A competição, consigo mesmo, sempre com respeito aos próprios limites e tolerante com as limitações, é o caminho sensato para o desenvolvimento de uma autoestima equilibrada.

Trecho extraído da Revista Educar para Crescer – 05/12/2014 – 16:48      

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